Novo método usa calor produzido pela luz no tratamento do câncer

Novo método usa calor produzido pela luz no tratamento do câncer

Elton Alisson, de São Carlos | Agência FAPESP – Um método otimizado para o tratamento de
tumores baseado no uso do calor produzido pela luz (fototermia) foi desenvolvido por
pesquisadores do Grupo de Nanomedicina e Nanotoxicologia (GNano) do Instituto de Física de
São Carlos da Universidade de São Paulo (IFSC-USP).
A técnica consiste em usar nanocápsulas feitas com membranas obtidas de células cancerosas
para transportar antitumorais e materiais fotoativos (ativados pela luz) em escala nanométrica
(da bilionésima parte do metro) até um tumor. Ao serem irradiadas por luz infravermelha, as
nanocápsulas de membrana se rompem e liberam o material presente em seu interior. O calor
gerado pela luz promove o aquecimento do material fotoativo, induzindo a morte das células
tumorais por hipertermia.
O trabalho foi desenvolvido durante o doutorado de Valéria Spolon Marangoni, bolsista da
Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). Resultados da aplicação do
método no tratamento de câncer de bexiga em animais foram apresentados durante o
Simpósio de Pesquisa e Inovação em Materiais Funcionais, promovido pelo Centro de
Desenvolvimento de Materiais Funcionais (CDMF) nos dias 23 e 24 maio na Universidade
Federal de São Carlos (UFSCar).
O CDMF é um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) apoiado pela FAPESP.
O novo sistema foi desenvolvido a partir de nanopartículas feitas de materiais chamados de
teranósticos – com aplicações simultâneas em terapia e em diagnóstico – desenvolvidos pelos
pesquisadores nos últimos anos.
Ao serem colocadas no sistema circulatório, essas nanopartículas tendem a migrar e a se
incorporar a células tumorais. Sua localização no organismo pode ser mapeada por meio de
tomografia, ressonância magnética ou de espectroscopia fotoacústica, por exemplo.
Uma vez visualizadas, é possível promover o aquecimento das nanopartículas por magneto –
se possuírem um núcleo magnético, como a magnetita, por exemplo – ou por fototermia, a fim
de promover a morte das células tumorais a que estão incorporadas por hipertermia.
Nanobastões de ouro
Além do grafeno, os pesquisadores têm usado ouro para criar as nanopartículas teranósticas
nas formas de estrelas e de bastões. Com esses formatos, explicaram, o nanomaterial se torna
capaz de absorver luz no infravermelho e promover aquecimento.

Nos últimos anos, porém, engenheiros de materiais descobriram que ao “esticar” um pouco
nanopartículas esféricas de ouro elas ganhavam a forma de bastões, o que lhes confere um
modo vibracional eletrônico longitudinal que permite a absorção de luz no espectro
infravermelho.
Com base nessa descoberta, os pesquisadores do IFSC-USP começaram a produzir
nanobastões de ouro e testá-los no tratamento de alguns tipos de câncer por fototermia.
Para transportar esses compostos para as células alvos foram desenvolvidas nanocápsulas
feitas de membranas celulares cultivadas em laboratório, obtidas de linhagens de tumor de
pulmão, por exemplo.

Hoje, a maioria das nanocápsulas para carrear fármacos e moléculas pelo organismo e
entregá-los em regiões específicas ou dentro de células são fabricadas a partir de lipídeos e
polímeros.
Por meio de melhorias na técnica de obtenção dessas nanocápsulas, os pesquisadores têm
conseguido colocar uma maior quantidade de nanobastões de ouro e de antitumorais em seu
interior.
As análises dos tecidos também revelaram que nenhum dos tumores na bexiga dos animais
cresceu e alguns até regrediram.

Fonte: Fapesp