Dr. Giovanni Cerri aponta oito forças que impactam a sustentabilidade da saúde no Brasil durante evento na UniMAX

Dr. Giovanni Cerri aponta oito forças que impactam a sustentabilidade da saúde no Brasil durante evento na UniMAX

O médico e Doutor em Radiologia participou do Programa “Fronteiras na Saúde” promovido pelo curso de Medicina do Centro Universitário Max Planck de Indaiatuba

Durante palestra promovida pela UniMAX – Centro Universitário Max Planck, o Doutor em Radiologia e membro do Conselho Consultivo do curso de Medicina de Indaiatuba, Giovanni Guido Cerri, apontou as oito forças que impactam a sustentabilidade da saúde no país. O tema geral “Conhecendo a saúde no Brasil” fez parte de mais uma edição do Programa “Fronteiras na Saúde” destinado a estudantes da área e população em geral.

Entre os pontos abordados pelo palestrante estão o aumento da carga de doenças; falta de promoção e prevenção; alta expectativa e informação limitada; governança pouco efetiva; alocação de recursos inadequada; práticas de gestão ineficientes; baixo foco no desfecho e uso de dados e inovação limitados.

O médico indicou algumas iniciativas que podem contribuir para a mudança do quadro como o auxílio que o setor privado pode dar ao Brasil a fim de expandir novos modelos de atenção aos idosos e a lidar com a tripla carga de doenças, que envolvem as crônicas, infecciosas e causas externas. “Até 2030, a população brasileira acima de 60 anos deverá triplicar aproximando a do Japão atual. Para acompanhar o novo perfil populacional, o Brasil precisa expandir os modelos de atenção aos idosos, a exemplo dos países desenvolvidos”, disse.

Para o membro do Conselho Consultivo, o Brasil precisa, também, trabalhar quatro alavancas principais para expandir suas ações de promoção e prevenção: integração de dados do paciente e identificação de perfis de risco; uso de profissionais como os programas que utilizam enfermeiros e médicos da família que podem diminuir a taxa de mortalidade de alguns grupos de risco em até 70%; campanhas e políticas com uso de técnicas de reforço positivo e papel ativo do empregador a partir de incentivos financeiros que geram benefícios mútuos, com 20 a 30% menores taxas de admissão e custos por paciente.

“Apesar da mudança positiva em alguns hábitos de vida, a população brasileira ainda está exposta a fatores de risco preocupantes. A eliminação total de fatores de risco poderia levar a uma economia de R$100bi/ano no tratamento de doenças crônicas, valor equivalente ao rombo das contas públicas em 2015”, destacou Dr. Cerri.

O palestrante que é vice-presidente do Instituto Coalizão Saúde e coordenador da Comissão de Inovação do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, considera, ainda, que um prontuário eletrônico universal é um dos principais avanços necessários para uma saúde integral. “Em todos países do Future Health Index há desafios na integração de dados e o Brasil está no topo da lista de países onde esses desafios são mais prevalentes”, ressaltou.

Dr. Cerri enfatizou que a alocação atual de recursos na saúde não atende à necessidade das novas demandas; além disso, apontou que atenção primária e modelos ambulatoriais são pouco explorados para atender a população de maneira custo-efetiva. “A transparência de indicadores de desempenho pode trazer ganhos relevantes em resultados. A maior integração e inteligência no uso de dados podem resultar em ganhos de até 35%. O impacto do uso de dados no sistema de saúde pode ocorrer tanto em nível do hospital como no nível do sistema de saúde”, salientou.

“Com a continuidade das condições atuais, os gastos da saúde no Brasil vão chegar em níveis insustentáveis para todos os elos financiadores. O sistema de saúde necessita avançar mais rápido para atingir objetivos de desenvolvimento sustentável. Se nada for feito, o Brasil terá que fazer um investimento adicional de R$ 10 trilhões em 20 anos, correspondendo em até 25% do PIB. As três fontes pagadoras do sistema vêm aumentando seus gastos acima da inflação. Parte do desafio é que os avanços tecnológicos que permitiram melhores tratamentos também aumentaram os custos do sistema”, conclui o médico.

Sobre o Programa “Fronteiras na Saúde”

Periodicamente, o curso de Medicina de Indaiatuba traz um profissional de destaque da área de saúde para contribuir com o conhecimento dos estudantes e também de toda a comunidade. “Com a implantação do curso de Medicina na UniMAX ampliando bastante a área de saúde, nós desenvolvemos esse projeto para toda a Região Metropolitana de Campinas, em que trazemos os expoentes da Medicina e da Ciência para nos contar, nesse tempo de revolução tecnológica e de mudanças rápidas no mundo, para onde vamos, como será o futuro do cuidar das pessoas, do cuidado médico, para onde vai a tecnologia e a Medicina”, explica professor Dr. Roberto de Queiroz Padilha.

O Programa “Fronteiras na Saúde” já contou com a contribuição do Dr. Silvano Raia, primeiro médico a realizar um transplante de fígado na América Latina e o primeiro no mundo a realizar o procedimento em inter vivos; com Dr. Wallace Chamon, professor associado e de pós-graduação na UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo) e professor adjunto da Universidade de Illinois em Chicago (UIC) e Mayana Zatz graduada em Ciências Biológicas e doutorado em Genética pela Universidade de São Paulo e pós-doutorado em Genética Humana e Médica pela Universidade da Califórnia.

Saiba mais sobre a Medicina de Indaiatuba, clique aqui!

Fotos: Lane Silva

18/09/2019