EDUCAÇÃO FÍSICA – TREINAMENTO COM ALTITUDE: VOCÊ SABE OS EFEITOS DO USO DA ELEVATION TRAINING MASK?

EDUCAÇÃO FÍSICA – TREINAMENTO COM ALTITUDE: VOCÊ SABE OS EFEITOS DO USO DA ELEVATION TRAINING MASK?

O mercado de tecnologias “vestíveis” vem apresentando crescimento vertiginoso nos últimos anos.  Em 2012, a movimentação nesta área ficou em torno de 2,7 bilhões de dólares, sendo esperado que em 2018 as cifras alcancem 8,3 bilhões de dólares, o que representa um aumento de mais de 300%!1

Usualmente definimos tecnologias vestíveis como dispositivos ou produtos eletrônicos que se integrem a um sistema computacional, permitindo que sejam vestidos por uma pessoa a fim de integrar sua rotina diária1. Um exemplo que tem se tornado cada vez mais comum são os smartwatches, relógios tecnológicos, interligados também a smartphones, que nos oferecem diversas informações a respeito de nossa saúde.

Mas nem sempre as tecnologias vestíveis estão atreladas a sistemas computacionais. Algumas dessas ferramentas não possuem dispositivos eletrônicos em si, mas alegam exercer efeitos sobre a saúde ou desempenho que estão relacionados às suas características, design e função.

Não precisamos ir longe. Provavelmente você ouviu falar sobre as polêmicas roupas de natação que imitavam a pele de tubarão. Pois bem, as mesmas alavancaram os resultados das provas de natação nos Jogos Olímpicos de 2.000, sendo que seu uso hoje é considerado, por muitos, como doping tecnológico2.

Na linha de acessórios voltados ao esporte surgiram as máscaras de treinamento (do inglês training masks), em específico a Elevation Training Mask 2.0 (figura1). São máscaras que utilizam válvulas que restringem a entrada de ar, mudando a mecânica ventilatória (figura2).

Os fabricantes alegam que, dentre tantos benefícios atrelados ao seu uso, a máscara pode simular o treinamento em altitudes elevadas3, técnica utiliza há décadas. Sabe-se que exposições prolongadas a ambientes com baixa disponibilidade de oxigênio (hipóxia), como o que ocorre no treinamento em altitudes elevadas, causa uma adaptação vantajosa para o desempenho atlético com o aumento do número de glóbulos vermelhos circulantes.

Esse resultado está relacionado com o aumento do transporte de oxigênio para o músculo, melhorando assim o desempenho aeróbio dos atletas4. Mas uma pergunta fica no ar: A Elevation Training Mask realmente simula hipóxia?

EFEITO DO USO DA ELEVATION TRAINING MASK

Recentemente tive a oportunidade de investigar esse implemento em ambiente laboratorial. Foram realizadas sessões de exercícios em bicicleta com e sem o uso da máscara. Dentre todas as nossas avaliações, estava presente a avaliação da quantidade de oxigênio presente na corrente sanguínea, principal marcador para caracterizar o treinamento em altitude. Como resultado, pasmem, a Elevation Training Mask não foi capaz de reduzir os valores de oxigênio a níveis semelhantes aos encontrados em altitudes elevadas, logo, não simula o treinamento em altitude, nem quando a mesma é utilizada em suas configurações mais severas (15.000 pés).

Por outro lado, verificamos que seu uso se assemelha bastante ao uso de um instrumento para o treinamento da musculatura respiratória, o que pode, cronicamente, representar ganhos sensíveis ao desempenho esportivo 5,6. Em linhas gerais, o uso da máscara foi bem tolerado pelos voluntários, sendo a dor de cabeça e fadiga as queixas mais comuns. Somamos a estas reações adversas o achado de que o uso da máscara reduz a ativação muscular, o que pode resultar em queda de desempenho7, certamente um efeito adverso durante o treinamento.

Não é incomum que produtos lançados no mercado não passem pelo rigoroso crivo do método científico, ou que não cumpram com suas promessas miraculosas. A informação, neste caso, é fundamental para que técnicos, treinadores e consumidores estejam devidamente fundamentados no emprego de novidades tecnológicas. Então você, que está procurando um estímulo a mais para melhorar seu desempenho, pense e pesquise bem antes de investir seu precioso dinheiro e tempo em “novas tecnologias”.

JOÃO FRANCISCO BARBIERI – Formado em Licenciatura pela Escola Superior de Educação Fìsica de Jundiaí (ESEFJ) e em bacharel pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Mestrado (FEF-UNICAMP) na área de biodinâmica do exercício e esporte. Desenvolve pesquisa na área de recursos ergogênicos e novas tecnologias de melhora do desempenho. Trabalha com modelos terapêuticos baseados na neurofisiologia do exercício para melhorar

 

11/08/2017

 

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