EDUCAÇÃO FÍSICA – POR QUE VEMOS TANTO DOPING NO ESPORTE?

EDUCAÇÃO FÍSICA – POR QUE VEMOS TANTO DOPING NO ESPORTE?

Vemos cada vez mais atletas sendo flagrados nos exames antidoping no Brasil e no mundo e isso faz com que a credibilidade do esporte de alto rendimento fique cada vez mais contestada perante a população em geral. O que leva os atletas a busca por fontes ilegais de melhoria na performance esportiva? E até que ponto vale a pena para o atleta colocar sua carreira em risco?

Neste ano, o Brasil sediará o maior evento esportivo mundial, que são os Jogos Olímpicos. Entre os diversos aspectos desenvolvidos, destaca-se a filosofia que busca promover, principalmente, o respeito pelas regras do esporte e também por seus adversários (COB, 2016). Na contramão desse ideal, nos últimos anos foram flagrados diversos casos de atletas que fizeram utilização de substâncias ilegais para melhoria de sua performance, tendo como consequência melhores resultados, porém, agindo de forma desleal e contra as regras da competição.

A utilização de substâncias ou fontes ilegais para melhoria da performance é o que a Agência Mundial Antidoping (WADA) classifica como doping. E são três os argumentos apontados que destacam o fato do doping como uma ilegalidade no esporte. O primeiro deles é o fato de burlar o regulamento das competições. Já o segundo diz que as substâncias, muitas vezes utilizadas em excesso, causam problemas de saúde para os atletas. E, finalmente, o terceiro motivo é a possibilidade de tornar a competição desigual entre os participantes, sendo favorecidos os que utilizam de substâncias ilegais (Da Costa et al – 2005).

Tivemos casos famosos no Brasil, como o da atleta da natação Rebeca Gusmão, que acabou sendo banida da modalidade. Outra situação aconteceu no atletismo brasileiro, quando seis atletas foram flagrados com utilização de substância proibida e o técnico da equipe assumiu a culpa por incentivar os atletas na utilização de substâncias proibidas.

Casos internacionais também ganharam destaque, como o de Ben Johnson, que em 1988 já fazia utilização de substâncias proibidas na melhoria da performance. A equipe búlgara de levantamento de peso foi outro escândalo divulgado. Na ocasião, nove atletas tiveram suspensão de quatro anos das competições, enquanto outros dois foram banidos do esporte.

Recentemente, temos dois casos, um nacional e outro internacional que chamaram muito a atenção da mídia e do tema em questão. Um deles foi no atletismo russo, onde mais de 30 atletas foram flagrados com utilização de substância proibida, sendo que tinham consentimento da federação russa de atletismo. Isso fez com que o órgão fosse suspenso provisoriamente das competições de atletismo pela federação internacional de atletismo, incluindo Jogos Olímpicos e Mundiais – a não ser que o Comitê Olímpico Internacional interfira na decisão, o que até agora não aconteceu.

O segundo caso é a da atleta brasileira Ana Cláudia Lemos, da equipe de atletismo, que também foi pega utilizando substâncias ilegais. Porém, neste caso, a atleta provou o consumo não intencional da substância e pegou uma pena de cinco meses, permitindo ainda que dispute os Jogos Olímpicos no Brasil.

Muitos atletas fazem utilização de substâncias ilegais, principalmente no Brasil, pela falta de controle antidoping. A Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD) fez uma pesquisa com atletas contemplados pela Bolsa Atleta e apresentou números muito preocupantes: 83% dos atletas nunca foram testados contra substâncias ilegais e 92% dos atletas não sabiam em 2013 da existência de uma lista de medicamentos e substâncias proibidas. Esses dados são alarmantes em relação ao combate ao doping nacional. Afinal, com a falta de controle, os atletas são estimulados a utilizarem de recursos ilegais para apresentarem melhora na performance.

Mas fica a pergunta no ar: o que leva realmente o atleta buscar esses recursos para melhoria de sua performance esportiva? Será que apenas o fato de não ter um controle adequado, quando pensamos no Brasil? Ou será que existem outros argumentos mais fortes que são determinantes ao pensarmos em nível mundial?

Os estudiosos do esporte Eidelwein e Decker (2013) apontam que outros fatores, além da busca por melhores resultados, estimulam os atletas a utilizarem substâncias proibidas no caminho do sucesso, como a busca por patrocinadores e fontes de renda extra, a busca por um espaço midiático se tornando referência aos mais jovens, e o medo de não ser mais competitivo e ter que encerrar a carreira esportiva. Esses motivos vão além também do fato de não existir um controle antidoping adequado.

Eis que surge a principal dúvida. Será que tudo isso vale a pena? Seria pior não alcançar resultados muitos expressivos, porém, ter uma carreira limpa e exemplar no esporte? Ou é melhor destruir uma linda história, com diversas conquistas importantes, por ter sido pego em um exame antidoping e revelar que tudo aquilo que foi conquista veio com ajuda de substâncias proibidas?

Esse é o dilema que muitos atletas vivem hoje em dia. E, apesar de sempre revelar esportistas que fazem utilização de substâncias ilegais, o mundo do doping parece sempre estar um passo a frente do controle antidoping. Um exemplo são as mais recentes descobertas de doping em nível genético, que demonstra o avanço dos estudos para buscar mecanismos de melhoria de performances ilegais e indetectáveis.

E qual o papel do profissional de Educação Física diante desses fatos?          

É fundamental que os profissionais de Educação Física saibam que serão formadores de opinião na sociedade, uma vez que muito do que falam e fazem vira exemplo a ser seguido, principalmente por crianças e adolescentes. Com isso, é importante que o profissional de Educação Física saiba o que passar como exemplo. Mais ainda, que o desenvolvimento de caráter e ética dentro do esporte e da vida é fundamental para o desenvolvimento pessoal.

Conclusão

A meu ver, o controle antidoping deveria ser muito mais rigoroso quanto é hoje, principalmente no Brasil, onde é praticamente inexistente. Em relação aos atletas, é fato que devem pensar bem e pesar prós e contras, uma vez que no alto rendimento se tornam exemplos e, muitas vezes, acabam decepcionado os jovens ou mostrando a eles um caminho não correto do sucesso.

Prof. Me. Pedro Luiz Bulgarelli é formado em Licenciatura e Bacharelado em Educação Física, Fisiologista do Exercício e Mestre em Educação Física na linha de pesquisa de Movimento Humano e Performance. Trabalhou como fisiologista na Universidade Metodista de São Paulo, responsável pela avaliação física de atletas de alto rendimento e olímpicos de Handebol e Basquetebol, além de fisiologista do Leandrinho Basketball Camp (realizado pelo atleta Leandro Barbosa que atua na NBA), preparador físico de basquetebol e técnico de handebol. Atualmente coordena os cursos de Educação Física da Faculdade Max Planck de Indaiatuba.

 

 

 

 

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