Coordenadora de Pedagogia explica sobre reforma do Ensino Médio

Coordenadora de Pedagogia explica sobre reforma do Ensino Médio

Docente fala sobre essa importante mudança proposta pelo governo e tira dúvidas

A reforma do Ensino Médio vem ganhando cada vez mais espaço na mídia e redes sociais. O projeto do Ministério da Educação (MEC) prevê mudanças na estrutura do sistema atual, propondo a flexibilização da grade curricular. Com o novo modelo, o estudante escolhe a área de conhecimento para aprofundar seus estudos.

O objetivo, de acordo com o governo federal, é aproximar ainda mais a escola da realidade dos estudantes à luz das novas demandas profissionais do mercado de trabalho. Além disso, permitir que os jovens façam suas escolhas, de seguir os estudos no nível superior ou entrar no mundo do trabalho.

As propostas trouxeram dúvidas e estão gerando muita polêmica. Segundo a coordenadora do curso de Pedagogia da MAX, professora Sheila Salles Mendes, a atual estrutura é vista como engessada e distante do interesse dos jovens. A ideia é combater resultados preocupantes relacionados ao baixo desempenho além dos altos índices de abandono e evasão. “As mudanças no currículo pretendem estimular esses jovens, que vão poder definir parte das matérias que vão estudar”, explica.

Confira entrevista com a docente, que explica quais os impactos dessa mudança, inclusive para os profissionais de Pedagogia, e esclarece alguns detalhes.

Por que surgiu essa mudança?

Os resultados do IDEB mostram que o Ensino Médio se apresenta como a etapa mais crítica da Educação Básica Brasileira. Desde a primeira medição, em 2005, o Brasil segue com média abaixo de 4,0. Além disso, são elevados os índices de evasão e abandono. A atual estrutura é vista como engessada e distante do interesse dos jovens. A ideia é combater tais resultados preocupantes. As mudanças no currículo pretendem estimular esses jovens, que vão poder definir parte das matérias que vão estudar. A reforma flexibiliza o conteúdo que será ensinado aos alunos, muda a distribuição do conteúdo das 13 disciplinas tradicionais ao longo dos três anos do ciclo, dá novo peso ao ensino técnico e incentiva a ampliação de escolas de tempo integral.

De que forma isso impacta a sociedade?

Poderíamos falar em pontos positivos e negativos dessa reforma.

  • Pontos Positivos – Com a reforma, o aluno poderá cursar mais matérias com as quais tenha afinidade e menos com as quais não tenha. O que pode contribuir na aproximação aos interesses dos alunos e com isso diminuir os índices de abandono e evasão atualmente verificados. A reforma dará aos alunos a possibilidade de cursar matérias técnicas no ensino médio, de modo que possibilitará um melhor preparo para o mercado de trabalho. Na flexibilização do novo modelo de Ensino Médio, metade da grade será comum e, para o restante das aulas, haverá a opção de aprofundamento em cinco habilitações: linguagens, matemática, ciências humanas, ciências da natureza e ensino técnico.
  • Pontos negativos – Diversos especialistas argumentam que a proposta poderá levar a uma precarização do ensino, com a ênfase maior em uma formação tecnicista em oposição a uma formação crítica dos estudantes. Outro argumento contra essa reforma diz respeito à falta de estrutura às escolas para que o ensino ganhe mais qualidade. Especialistas, professores e profissionais da educação argumentam com frequência que falta estrutura para estudantes e professores. É necessária formação para os profissionais, tecnologias que ajudem a trazer a prática para dentro da escola e o interesse nos estudos. Além disso, faltam condições de trabalho, por exemplo, tempo para que os docentes preparem as aulas e corrijam as provas, o que, de acordo com ele, embora garantido por lei (Lei do Piso), na prática isso acaba sendo feito em casa e nos fins de semana.

Quais as mudanças mais significativas?

O texto aprovado permite que as escolas possam escolher como vão ocupar 40% da carga horária dos três anos do ensino médio: 60% serão compostos de um conteúdo mínimo obrigatório, que será definido pela Base Nacional Curricular Comum (BNCC), ainda em debate. Já o restante do tempo será definido de acordo com a proposta da escola, que deverá oferecer aos estudantes pelo menos um de cinco “itinerários formativos”: * linguagens e suas tecnologias; * matemática e suas tecnologias; * ciências da natureza e suas tecnologias; * ciências humanas e sociais aplicadas; * formação técnica e profissional. O ensino de português e de matemática será obrigatório nos três anos do Ensino Médio. Também será compulsório o ensino de inglês, artes, educação física, filosofia e sociologia.

Por que o tema tem gerado tanta polêmica?

A principal polêmica diz respeito às disciplinas obrigatórias do ensino médio. Antes da Medida Provisória (MP), no Brasil, não existia uma lei que especificava todas as disciplinas que deveriam obrigatoriamente ser ensinadas na escola – esse documento será a Base Nacional Curricular Comum (BNCC), que ainda não saiu do papel. Até então, a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) só citava explicitamente, em trechos diversos, as disciplinas de português, matemática, artes, educação física, filosofia e sociologia como obrigatórias nos três anos do ensino médio.

Outro alvo de críticas foi a permissão para que professores sem diploma específico ministrem aulas. O texto aprovado no Congresso manteve a autorização para que profissionais com “notório saber”, reconhecidos pelo sistema de ensino, possam dar aulas exclusivamente para cursos de formação técnica e profissional, desde que os cursos estejam ligados às áreas de atuação deles.

Especialistas dizem que as mudanças deveriam ter sido discutidas abertamente com a sociedade, e não implementadas via MP. Outra crítica é que na prática, uma escola da rede pública não terá como oferecer todos os itinerários formativos, o que pode reduzir o potencial de escolha do estudante.

O que muda para o profissional de Pedagogia?

Vale a pena pensar no campo de atuação do pedagogo, que tem basicamente duas áreas a seguir: em espaços escolares (aulas na Educação Infantil e anos iniciais do Ensino Fundamental – 1º ao 5º ano; a coordenação pedagógica, a gestão escolar, a educação especial, a orientação educacional, a Educação de Jovens e Adultos) e em espaço não escolares (Pedagogia Hospitalar e Pedagogia Empresarial – hospitais, bibliotecas, brinquedotecas e museus, dentre outros). Considerando que em espaços escolares o pedagogo atua a partir da Educação Infantil até o 5º ano do Ensino Fundamental, a reforma do Ensino Médio não tem, inicialmente, um impacto direto para o profissional da Pedagogia. Contudo, o desenrolar desse processo de mudanças poderá em algum momento influenciar o campo de atuação desse profissional.

Sheila Salles Mendes é graduada em Licenciatura em Matemática pela Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP.  Mestre em Educação Matemática pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (2005). Possui 11 anos de experiência docente na Educação Básica e 9 anos no Ensino Superior. Atualmente é coordenadora e professora do curso de Pedagogia da Faculdade Max Planck.

09/03/2017

 

 

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